A magia da rádio, a paixão de um radialista – Por Carlos de Castilho

Nos tempos que correm, fazer rádio é muito mais que falar ao microfone, estar num estúdio ou em casa, e muito mais que passar musica.

Eu lembro-me de ter os meus 8 ou 9 anos e brincar aos radialistas. Isto, porque os meus pais sempre tiveram a radio presente nas suas vidas, e eu, estava lá também para ouvir os programas e estações em AM (Amplitude Modelada) que nos permitiam na altura ouvir os grandes sucessos da musica portuguesa em meados dos anos 80.
Escutar rádio naqueles tempos era uma forma de fazer companhia ás famílias portuguesas, principalmente para aqueles que não podiam ou não tinham condições de comprar uma televisão que na altura eram a preto e branco e eram caras.

A estação que se ouviam muito na casa dos meus pais era a Onda Média que hoje se chama Radio Comercial, também tínhamos a Radio Renascença e mais algumas que já não me lembra o nome, e depois havia os programas épicos da altura tais como “Quando o Telefone Toca”, “Parodiantes de Lisboa” (e este era para mim um programa assustador, vai-se lá saber porque), mas ainda assim o fascínio da comunicação e radio tomava conta de mim e surpreendiam-me.

Os meus pais tinham um gira-discos com radio e cassete, este aparelho tinha dois microfones, e quando eu não tinha escola ou muito para fazer, pedia ao meu pai para mexer no gira-discos e colocar musicas e falar ao micro. Havia uma prateleira imensa com discos de vinil de artistas variados tais como Bonga, Amália, muita música africana, Glen Miller e muitos mais que já não me recorda o nome.

Nas estações que ouvíamos podíamos escutar boas musicas portuguesas de artistas conhecidos como Manuela Bravo, José Cid, Maria Guinot, Armando Gama, Carlos Paião, Tonicha, Linda de Suza, Simone de Oliveira, Carlos do Carmo, entre outros. A minha mãe emocionava-se ao som de “A Cinderela” de Carlos Paião e musicas de Linda de Suza (Mala de Cartão), e ao mesmo tempo lavada em lágrimas dava-me concelhos… Ela era uma pessoa muito emotiva.

Os anos passam e muito mais tarde sou convidado a entrar num estúdio de rádio em Santa Maria da Feira. A Radio Águia Azul era… e acho que ainda é uma radio local onde posteriormente passava a ser o sitio onde eu e um amigo meu ficávamos durante os nossos intervalos da escola. Um estúdio de rádio, a minha paixão cresceu, foi então aí que soube que esta era uma actividade que eu não me importava de levar avante para o resto da minha vida.

Foi então em 2009 que comecei a envergar no mundo das rádios online. Rádios estas que começavam a ser liberadas e disponibilizadas a quem quisesse ter uma radio própria. Os nomes esses eram variadíssimos e a maioria nem tinha a nada a ver com nomes de uma radio profissional. Foi nessa altura que comecei a fazer radio “a sério” e a mostrar ao longo dos anos que podia fazer muito mais e melhor independentemente das audiências.

Uma coisa que temos de entender como colaboradores e radialistas, é que nem sempre ter muitas audiências significa que o programa tem qualidade. Principalmente se estamos apenas a fazer isto para ganhar ouvintes. Devemos fazer esta actividade não só para obviamente ter audiências, mas para principalmente e acima de tudo nos sentirmos conectados com as pessoas do outro lado, porque queiramos quer não, elas estão connosco, e acompanham-nos.

Para mim levou algum tempo a perceber isso por mim próprio. Eu achava que não ter os ouvintes que eu queria, significava que o meu programa ou live não era do agrado das pessoas, ainda assim e como muitos na Tendencias, procuramos e sempre estudamos uma forma de trazer novos conteúdos e temas actuais que realmente importam… E sim, a musica que se passa é muito importante também, e cada um faz a sua emissão com se estivesse a mobilar a sua própria casa a cada minuto que passa.

Radio é muito mais que passar musica, muito mais que falar. É comunicar, e envolver-se com milhares de pessoas que não conhecemos e todos os dias estão connosco. É uma paixão que muito poucos conhecem.

Radio é magia e sentimento puro!

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