Imagem Retraída – por Jorge Guilherme

Maria, jovem mulher de 45 anos de idade, divorciada, com dois flhos, um casal de jovens, ele com 17 e ela com 15 anos. Um dia Maria acordou bem-disposta, com uma ideia de concretizar algo que está muito em voga, ir a um canil e adotar um cão. Não interessa a raça, a idade, o seu temperamento, logo que seja bonito. Mas tem que ser cão, porque cadela pode engravidar e irá acarretar mais problemas, daqueles que passa. E passear um cão é conhecer outras pessoas, é um meio de contato mais fácil e acessível, e sendo um cão bonito toda a gente vai reparar, e os mais interessados, irão dirigir-se a ela, não incorrendo assim, de ser ela a divulgar o seu interesse, e escolher é melhor que sujeitar-se.

Falou com os filhos sobre tal ideia, e foi uma alegria estonteante lá em casa, ele sempre ligado a computadores e playstation, sempre ocorrente das novidades de programas e jogos de entretimento. Gostaria imenso de ter um cão, pois na sua família “sims”, tem dois, e lá na escola ouve colegas a falarem de cães, que é muito fixe para conhecer miúdas. Ela descrita pela idade dos 15 anos, onde as amigas lá da escola acham superdivertido os pais terem cães, e neste momento ter um cão é estar na moda, é ser IN.

E lá foram os três, todos excitantes e joviais, escolher a nova mascote lá para casa. Dirigiram-se ao canil, lá visualizaram diversos cães e cadelas, de diversas cores, temperamentos e raças. Mas Maria salientou logo, que o seu objetivo era adotar um cão. Dos visualizados foram de imediato refutados, um porque era escuro demais, outros porque ladravam muito, outros porque eram pequenos demais, outros porque saltavam muito, outros porque estavam gordos, outros porque tinham as orelhas para baixo, outros porque eram muito feios, outros porque eram muito grandes, um outro porque só tinha 3 patas, um outro porque estava sujo, e ainda outros que logo vieram ter com eles e lamberam-lhes a mão, e isso é muito pouco higiénico.

A escolha foi dirigida para um cão, que se encontrava muito triste, num canto do canil, contudo era super bonito. Era mesmo este, o seu pêlo alaranjado, o seu focinho bem estruturado, de porte médio, muito calado e quieto, era mesmo este que se identifica como a nossa mascote. Contudo foram, informados da situação que levou aquele cão a vir para o canil e por toda a situação que passou para chegar a ficar com aquele temperamento, simplesmente assistiu ao assassínio do dono. Ficando num estado temperamental de ter receio do ser humano, mantendo-se sempre afastado do seu contato, contudo não era agressivo, ou tenha apresentado qualquer atitude agressiva. Mas mesmo assim Maria e os filhos queriam ter aquele cão tão bonito.

Chega o dia do SKY (o nome imposto por Maria) chegar a casa. Primeira adversidade, SKY não quer contato com Maria e com os filhos, por isso veio de trela com um assistente do canil, que o levou para o interior da moradia. E a partir desse dia, o mundo de Maria desmoronou-se. Tirar o SKY de casa, era das funções mais difíceis do mundo, gostava de estar sempre num cantinho lá em casa, quando passeava (se conseguissem tira-lo de casa, e na rua não andava pois tinha receio de tudo e de todos), era um tormento, pois tinha sempre tendência a fugir, ou a puxar a trela para casa. Deitava-se quando temia a presença próxima das pessoas, urinava sempre que que alguém chegasse próximo de Maria. Quanto ao filho, o primeiro, segundo e terceiro dia, foi ele que alimentou o cão, mas apercebeu-se de novos jogos no computador e rapidamente caiu em lapso tal responsabilidade. E para mais, um cão que não conseguia andar na rua, não iria de encontro ao seu objetivo. A filha, afinal veio a descobrir que aquele cão tinha algum problema psicológico, não detetado de nascença, e era diferente dos outros cães. Por isso não tinha culpa em a mãe trazer aquele animal para casa.

Assim Maria via a sua intenção “ir por água abaixo”, e já a prever uma ampliação dos seus problemas, e aproximar-se a situação de sujeitar-se em vez de escolher, teve uma excelente ideia!! E qual foi? Reenviar o SKY para o remetente, ou seja, o canil.

Sabes Maria o SKY, sofreu demais e assistiu a algo que não está na sua natura. Foi eternamente fiel a um ser humano, que outro da mesma raça assassinou. E acredita que o “odio” o “rancor” e principalmente o desprezo e receio que tem dos seres humanos, ultrapassa toda a tua personalidade.

Já agora Maria, aquele cão que era gordo, foi treinado a fazer várias brincadeiras, das quais ladrar ao comando, “contar”, dar voltas, andar para trás e outras brincadeiras aos comandos. Aquele cão que pulava, era super obediente, com uma obediência acima da média, executando exercícios de obediência corretamente. Aquele cão das orelhas caídas, tinha um faro superdesenvolvido e amava as pessoas, e no qual foi treinado para procurar e salvar pessoas. Aquele cão todo sujo, adorava brincar na água, e foi utilizado para detetar e socorrer pessoas em situações aflitas em rios e lagoas. E muitos outros e das outras, porque não eram bonitos ou eram cadelas, conseguiram detetar o maior valor do ser humano, o Amor e amizade. As histórias anteriores deles, não queiras saber Maria, porque são mais feias e tristes para o teu raciocínio.

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