Morreu o fadista Carlos do Carmo (1939-2021)

Fonte: Expresso

O cantor, de 81 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, no hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde tinha dado entrada ontem com um aneurisma na aorta

A noticia foi confirmada ao Expresso pela família. O fadista, que nasceu em 1939 e eternizou canções como “Lisboa, menina e moça” e “Os putos”, tinha feito 81 anos no dia 21 de dezembro. No último dia de 2020 deu entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, após um aneurisma na artéria aorta. Na manhã de dia 1 de janeiro acabaria por perder a vida.

No início de 2019, anunciou pôr fim à carreira, que já contava com mais de meio século de existência. Mas o anúncio não o desviava de encher uma última vez os dois coliseus, do Porto e de Lisboa, com concertos de despedida.

“Será o ano da despedida, sem amarguras, sem azedumes”, disse na altura, Carlos do Carmo. “Será o ano da despedida com muita, muita, muita gratidão a todas as pessoas que me têm dado ao longo da vida tantas, tantas alegrias e tanta generosidade”. Com um vídeo emotivo na rede social Facebook, agradecia assim aos que quiseram não perder os últimos concertos.

Desde então que tem estado mais afastado dos palcos, mas faltava ainda um último disco, anunciado pela mesma altura. “E ainda…” surgiria mesmo, nas palavras do artista, como aquele que poderia ser o seu último álbum.

Gravado ao longo de três anos e programado para ser lançado em novembro do ano que agora acabou (ainda aguardada a sua chegada às lojas), nele o fadista interpretaria poemas de Herberto Helder, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, e Jorge Palma.

FADO É AMOR
Em 2013, quando celebrou 50 anos de carreira, editou o álbum “Fado é amor”, que gravou em duo com vários fadistas, entre os quais Ricardo Ribeiro, Camané, Mariza, Raquel Tavares e Marco Rodrigues.

Carlos do Carmo foi reconhecido, em 2014, com um Grammy Latino de carreira e com o Prémio Personalidade do Ano – Martha de la Cal, da Associação Imprensa Estrangeira em Portugal.

Um ano depois receberia a “Grande Médaille de Vermeil” da cidade de Paris, “a mais alta distinção” da capital francesa, e em 2016 foi-lhe atribuído o título de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, da Presidência da República.

Aos 78 anos, em 2018, estreou-se a atuar em Nova Iorque, onde a NPR (rádio pública norte-americana) o descreveu como um “Sinatra do fado”. E ele, que nunca escondeu a profunda admiração pelo músico norte-americano, disse à estação de rádio que “O Sinatra foi o melhor fadista” que tinha ouvido.

No ano em que acabaria por anunciar o fim da carreira, foi-lhe atribuído o Prémio Vasco Graça Moura — Cidadania Cultural 2020.

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