Quando gritas em surdina um pedido de socorro! – por Natália Batista

Num ato de coragem fazes mais um esforço e sentes os maxilares a articularem as sílabas so-cor-ro…
Mas ninguém ouve!

As vozes da sociedade que te rodeia, o alarido, o ruído de quem fala, sem nada para dizer, abafam a tua voz como uma pistola com silenciador embutido.
A sociedade parece estar-se nas tintas para a tua existência…

Olhas em redor e tudo é estranho, tudo te soa a falso, não pertentes ali. As pessoas assemelham-se a autómatos programáveis. Perderam a capacidade de sentir, de amar, de confiar, desculpar, de viver na sua plenitude.
Ocupam os dias numa tentativa desenfreada de descobrir uma falha, uma imperfeição alheia onde colocar o dedo e esmiuçar de forma cuidadosamente perversa até sangrar…

Vagueias desorientado pela cidade sem reconhecer nada do que te rodeia, és um estranho na tua própria realidade.
De quando, em vez paras, escutas uma conversa que te faz sorrir e pensas, “talvez eu esteja errado, talvez a sociedade seja diferente do que imagino, talvez haja futuro promissor”, mas no mesmo instante percebes que não passam de balelas, fantasias e que daí à prática a distância a percorrer é ainda muito longa e o caminho íngreme.

Mesmo assim não desistes e continuas numa busca incessante pela luz no fundo do túnel.

É isso! Talvez ela seja o teu último recurso, a tua bem-aventurança, (como lhe gostarão de chamar os mais crentes).
Talvez um dia todos tomem consciência que mais importante do que palavras são os actos…
Talvez um dia as pessoas percebam que ajudar não tem que significar gerar concorrência…
Talvez um dia o egocentrismo dê lugar ao autoajuda…..
Talvez um dia a consciência de que tudo isto é efémero tome conta da sociedade…
Talvez um dia os Androides voltem a ser HUMANOS…
Talvez…talvez…talvez…

Até lá continuas o percurso que conscientemente consideras o mais adequado e dás prevalência à tua consciência.

Afinal quem nunca se reviu neste texto?

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