Radio Cidade, a Número 1. Hoje, amanha, e sempre. A rádio que marcou uma geração

Vocês sabem aquele momento na vida em que queremos falar e mostrar tudo de uma só vez e dar a conhecer a todo o mundo uma das melhores alturas na nossa vida mas depois não sabem por onde começar?

Eu cresci a ouvir radio. Os meus pais eram apaixonados por musica e algumas estações na altura. E eu ouvia o que passava. Não havia tanta musica estrangeira em algumas rádios portuguesas na década de 70 e 80 e os artistas portugueses eram os que dominavam mais as estacoes.

Nos inícios dos anos 80 a musica começou a ganhar outro tipo de estilo e novas rádios viriam a surgir. Na altura, a banda de AM (Amplitude Modelada) era a que mais estacoes tinha mas a qualidade de som era muito má (dependia também da antena que a gente tivesse), depois havia também a FM (Frequência Modelada) que foi ganhando fama pela sua qualidade e facilidade de procura de canais ou estacoes radiofónicas.

Com as pessoas a optarem mais pela banda em FM, principalmente os jovens, começaram a aparecer novas rádios tais como a Radio Energia, Antena 3, e a Radio Cidade.

A Radio Cidade (e não estou a falar da Cidade FM porque essa não interessa), foi uma radio que até hoje para muitos guarda muitíssimas recordações e era uma radio informal, descontraída, simples, jovem e a numero 1. E era a numero 1 porque simplesmente era uma radio que tinha tudo. Não era aquele tipo de radio em que as pessoas têm de colocar a voz e ser aquilo que na vida real não são. A Radio Cidade era uma radio aberta e muito “open mind” inspirada na Radio City of America e na a Rádio Cidade brasileira.

Quando eu soube que a Radio Cidade ia terminar, em 2003, eu não queria acreditar, quase que me “caiu tudo ao chão”, mas ao mesmo tempo estava convencido de que esta radio ia re-abrir, mas com o mesmo nome, alguns locutores diferentes, etc. Ou seja, não com uma mudança drástica e radical como foi o que aconteceu.

O nome foi mudado para Cidade FM, o Staff mudou, a musica perdeu qualidade, e obviamente o grau de ouvintes naquela altura começou a diminuir. Foi então que eu comecei a ouvir mais a Antena 3.

Eu por um lado sinto a dor que deve ter sido e o impacto que causou ao Staff desta radio quando tiveram que fazer estas mudanças. Não consigo imaginar como tenha sido aquela fase, mas lembrar e sentir falta da equipa, do estúdio, dos CD’s e cassetes que tinham, o ambiente… Eu imagino como se fosse perder um familiar muito próximo, ou construíres algo que te deu muito trabalho e no final visses tudo por água abaixo… Imagino o quão duro, triste e revoltante deve ter sido.

Eu tenho muitas saudades desta radio porque foi ela que sempre me acompanhou.
Quando estava em casa, na escola, com os amigos, e lembro-me que as vezes eu colocava as colunas cá fora na rua para que todos pudéssemos ouvir. Era uma festa brutal, principalmente quando colocávamos CD’s a tocar como os “Eletricidade” ou o “Sarcófago da Cidade”! Era lindo!! 😀

Eu adorava a maneira como eles se dirigiam aos ouvintes. A forma como faziam os passatempos, os programas que passavam, e até as intros… Éra uma sensação que não se conseguia descrever em palavras. Honestamente.

E vocês perguntam: mas estás a ouvir a Radio Cidade como?

No dia 8 de Abril, estava a falar com um amigo meu pelo Facebook, e no meio da conversa ele passou-me um link “https://saudadecidade.com“, e fui ver. Assim que clico e abro o link, foi como se estivesse a ser sugado para outro portal, uma outra dimensão. Eu explorei o site todo! Tudo o que eram ligações deles nas redes sociais, as abas de opção, o leitor, cliquei em tudo e segui-os! Eu fiquei emocionado, feliz, e claro, as recordações daqueles tempos vieram-me á mente e literalmente não consegui fechar o site porque era como ter aquela sensação de que eu próprio me estava a despedir deles, da radio, das memórias.

Obviamente que o site está no ar. Não sei quando é que este projeto foi criado. Não tenho a certeza se a Radio Cidade vai na verdade voltar ao formato original que tinha antes, tendo em conta que muitos locutores devem ter tido escolhas diferentes de vida e alguns infelizmente não devem estar entre nós, mas na minha mais profunda e sincera opinião, e que eu mais gostava que acontecesse, era que a nossa Radio Cidade voltasse. Não só com uma playlist, mas também com alguns membros com que a radio funcionava. Isso era o auge, a cereja no topo do bolo.

A meu ver, nunca houve uma radio portuguesa que oferecesse tanto aos seus ouvintes como a Radio Cidade. Não era só uma rádio, era uma casa, uma família, um amigo de verdade… Neste caso vários! 🙂

A Radio Cidade não morreu. Continua viva entre nós.

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